Mais de 700 pessoas prestigiaram a abertura do 24º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos na noite dessa quarta-feira (20). O presidente da CMB, Dr. Edson Rogatti, agradeceu a presença de todos e exaltou o número expressivo de congressistas, que superou a meta para esta edição do evento.
Em seu discurso de abertura, o presidente apontou a qualidade das palestras e palestrantes, reforçando que o objetivo do Congresso é trazer debates que possam ajudar na melhoria da qualidade da gestão das entidades.
Aproveitando a presença do ministro da Saúde, Arthur Chioro, o presidente da CMB ressaltou os problemas enfrentados pelas entidades, causados pelo subfinanciamento do SUS, entregando, ao final, um documento assinado por todos os presidentes das Federações, contendo o pleito do setor. “Estamos a poucos dias das eleições majoritárias e é hora dos futuros governantes apresentarem suas propostas e soluções também para a Saúde, pois esta é a prioridade para a maioria do povo brasileiro, conforme as pesquisas. É hora de definir as prioridades e estabelecer as metas para sanar um problema que já se arrasta por muitos anos: o subfinanciamento do Setor. Esses pontos precisam ser encarados com seriedade, do contrário, Santas Casas e hospitais filantrópicos continuarão sendo obrigados a reduzir leitos e serviços ou mesmo fechar as portas pela crônica falta de recursos”.
Mesmo assim, Rogatti, enfatizou a importância de se buscar ações inovadoras para vencer os problemas e adotar medidas de gestão para otimizar os serviços. “Por isso, como já é nosso costume, não vamos esperar sentados pela mudança. Estamos de pé e vamos à luta! Vamos em busca de alternativas, como as nossas instituições fizeram em toda sua história”.
Leia na íntegra do presidente da CMB:
Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Saúde, Arthur Chioro, na pessoa de quem cumprimento todas as demais autoridades já nominadas. Senhoras e Senhores, boa noite.
Minhas primeiras palavras são de agradecimento a todos pela presença no 24º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos. Ficamos muito honrados de saber que tivemos, neste ano, um recorde de público, ultrapassando a meta que tínhamos definido para esta edição. Temos aqui representantes de todo o País preocupados com o futuro da nossa Saúde e dispostos a discutir soluções para o setor.
O evento foi pensado com muito cuidado, primando pela qualidade dos palestrantes e dos temas que serão abordados nesses três dias. Nossa intenção é proporcionar debates que possam ajudar na melhoria da qualidade da gestão de nossas entidades.
Esta resposta das Federações e de nossos associados nos mostra que acertamos na escolha do tema central, que nos lembra o papel que desempenhamos: somos indispensáveis para a saúde. Indispensáveis para o Brasil.
Hoje, nosso setor é responsável por 51% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde e por mais de 60% dos transplantes, das cirurgias neurológicas, oncológicas e dos partos realizados no SUS. Temos uma rede hospitalar de 2100 hospitais, dentre os quais muitos são a única unidade de saúde em pequenos municípios. Além de ter participação preciosa na Saúde Suplementar, quer como operadoras próprias ou proporcionando assistência, anualmente, a milhões de usuários de planos e seguros saúde.
Lutamos todos os dias para oferecer um serviço de qualidade, mesmo diante das adversidades e dificuldades que encontramos pelo caminho. O financiamento aquém do necessário ao SUS afeta diretamente nosso trabalho, porque também sofremos com a falta desses recursos. Mas, mantemos nossa missão histórica de atender a população e de trabalhar pelo bem dos necessitados, apesar dos 15 bilhões de Reais em dívidas que temos e de enfrentarmos um déficit anual de 5,1 bilhões de Reais na assistência ao SUS.
Apesar da face feia da crise, temos tido a oportunidade de estreitar o diálogo com o governo. Reconhecemos o esforço que o Ministério da Saúde vem desenvolvendo para criar novos incentivos que possam corrigir a defasagem da tabela SUS, mas também ele enfrenta um gargalo quando o assunto é orçamento.
Estamos a poucos dias das eleições majoritárias e é hora dos futuros governantes apresentarem suas propostas e soluções também para a Saúde, pois esta é a prioridade para a maioria do povo brasileiro, conforme as pesquisas. É hora de definir as prioridades e estabelecer as metas para sanar um problema que já se arrasta por muitos anos: o subfinanciamento do Setor. Esses pontos precisam ser encarados com seriedade, do contrário, Santas Casas e hospitais filantrópicos continuarão sendo obrigados a reduzir leitos e serviços ou mesmo fechar as portas pela crônica falta de recursos.
Enquanto isso, a nós nos cabe ser ousados, investir em inovação e acreditar no que fazemos! Saber qual é o papel dos nossos líderes e adotar ações voltadas para a Governança Corporativa. É fazer um controle de custos, buscar uma contratualização justa e recorrer à logística como ferramenta de gestão. É não temer as crises, mas estarmos prontos para driblar e minimizar seus efeitos quando e se elas vierem. E esses são os temas que trabalharemos nos dois próximos dias do nosso Congresso.
Hoje já pudemos aprender, compartilhar experiências e esclarecer dúvidas referentes a temas técnicos, que permeiam nosso dia a dia, especialmente em relação às normas definidas pelo Ministério da Saúde.
Ainda temos muito a aprender. Queremos que nossos congressistas saiam daqui iluminados pela programação baseada na qualidade da gestão e estejam preparados para se enquadrar às novas políticas hospitalares e de atenção e segurança do paciente.
Podemos enfrentar adversidades, mas nossas ferramentas para continuar realizando um bom trabalho estão principalmente em nossa motivação maior: a Saúde do povo brasileiro!
Por isso, como já é nosso costume, não vamos esperar sentados pela mudança. Estamos de pé e vamos à luta! Vamos em busca de alternativas, como as nossas instituições fizeram em toda sua história.
Antes de encerrar, agradeço o inestimável apoio recebido do Ministério da Saúde, liberando seus melhores quadros para trabalharem conosco neste evento, e dos nossos patrocinadores e apoiadores que acreditaram na importância dessa iniciativa.
Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para entregar um documento ao ministro Chioro, contendo o pleito do Setor Filantrópico e suas necessidades emergenciais, já conhecidas do Ministério da Saúde. Aqui, representamos as 17 Federações estaduais, as 700 unidades hospitalares aqui presentes e os 2100 hospitais sem fins lucrativos de todo o país. Anexo, ministro, constam dados de custos de três importantes Santas Casas – Porto Alegre, Belo Horizonte e Maceió – que são referência em gestão e qualidade de atendimento. Os números expostos, com certeza, serão base para soluções prioritárias.
Sejam todos muito bem-vindos a este evento. Obrigado pela presença e tenham um excelente Congresso!