Linha de crédito do FGTS para hospitais filantrópicos é detalhada em CMB Online e reúne grande participação do setor

A Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) realizou, nesta quinta-feira (26), mais uma edição do CMB Online, com foco na apresentação e esclarecimento sobre a nova linha de crédito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinada às instituições filantrópicas de saúde.

O encontro contou com a participação da vice-presidente da CMB, Dora Nunes, do diretor-geral da CMB, Mário César, além do diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Dr. Fernando Figueira, e do assessor jurídico no MS, João Luiz Pereira. Pela CAIXA, participaram Marcelo Ferreira Frias, gerente nacional da área de crédito do atacado, Thiago Monnerat, gerente de clientes e negócios da área de crédito do atacado, Thiago Gomes Afonso, coordenador de projetos, e Mariana, representante do agente operador do FGTS. Também integrou o encontro a assessora jurídica da SAES, Sacha Faria.

Uma resposta ao cenário de endividamento do setor

Durante o encontro, o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Dr. Fernando Figueira, destacou que a iniciativa surge como resposta a um cenário histórico de subfinanciamento e elevado endividamento das instituições filantrópicas.

A linha de crédito do FGTS foi estruturada com o objetivo de permitir a reorganização financeira das instituições, com condições mais favoráveis de prazo e juros, possibilitando a redução do custo da dívida e a retomada da capacidade de investimento.

Estrutura da linha: R$ 8,5 bilhões para o setor

A nova linha prevê a disponibilização de R$ 8,5 bilhões para os hospitais filantrópicos, distribuídos em três modalidades:

  • Capital de giro, para uso livre das instituições;
  • Reestruturação financeira, voltada à substituição de dívidas com condições mais onerosas;
  • Investimentos, destinados à aquisição de equipamentos, obras e ampliação da capacidade instalada.

A prioridade, neste primeiro momento, está na reestruturação das dívidas, com o objetivo de gerar alívio imediato no fluxo de caixa das instituições.

Condições diferenciadas e impacto financeiro

A CAIXA apresentou os principais parâmetros da linha, destacando condições mais vantajosas em relação às praticadas atualmente no mercado.

A taxa de juros prevista é significativamente inferior às linhas tradicionais, aliada à ampliação dos prazos de pagamento, que podem chegar a até 15 anos para reestruturação financeira e até 30 anos nos casos de investimentos em infraestrutura.

Na prática, a medida permitirá a redução do valor das parcelas mensais, liberando recursos para manutenção dos serviços e ampliação da produção assistencial.

Adesão ao programa Agora Tem Especialistas é requisito

Um dos principais pontos destacados durante o encontro foi a obrigatoriedade de adesão ao programa Agora Tem Especialistas para acesso à linha de crédito.

A exigência foi estabelecida pelo Conselho Curador do FGTS como forma de garantir retorno social do investimento, vinculando o acesso ao crédito à ampliação da oferta de serviços à população.

Isso significa que as instituições que aderirem à linha deverão ampliar a realização de procedimentos, como cirurgias e exames, dentro das diretrizes do programa.

O Ministério da Saúde ressaltou que essa produção adicional será remunerada e que o programa passará por ampliação, incluindo novos serviços e especialidades.

Regras, critérios e operacionalização

Entre os critérios apresentados, destacam-se:

  • Necessidade de regularidade fiscal e trabalhista (certidões negativas);
  • Exigência de margem consignável vinculada aos recebíveis do SUS;
  • Avaliação de crédito por parte da CAIXA;
  • Possibilidade de utilização da linha para quitação de dívidas existentes, inclusive com outras instituições financeiras.

A operacionalização da linha está em fase final de regulamentação, com publicação de portarias e normativos prevista para os próximos dias.

A expectativa é que as operações estejam disponíveis nas agências da CAIXA ainda na primeira quinzena de abril.

Construção conjunta e articulação institucional

Durante a reunião, a CMB destacou a atuação conjunta de diferentes atores para viabilizar a retomada da linha, incluindo o Ministério da Saúde, a CAIXA e representantes do setor no Congresso Nacional.

Foi ressaltada, ainda, a importância da mobilização institucional para garantir a aprovação da medida no Conselho Curador do FGTS, considerando a alta competitividade por recursos dentro do fundo.

Próximos passos

A CMB reforçou que seguirá atuando na orientação das federações e das Santas Casas e hospitais filantrópicos, apoiando o setor na compreensão das regras e no processo de adesão.

Novos encontros e materiais explicativos deverão ser disponibilizados após a publicação oficial das normativas, com o objetivo de detalhar os procedimentos e ampliar o acesso das instituições à linha de crédito.

A gravação do CMB Online já está disponível no canal da entidade no YouTube.

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