Embora o balanço financeiro seja negativo, articuladores entendem que filantrópicas estão fortalecidas do ponto de vista estratégico
O Dia Nacional das Santas Casas, comemorado no dia 15 de agosto, está sendo reverenciado pela Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) e pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (FEHOSP) como um momento ímpar na história das filantrópicas.
O vice-provedor da Santa Casa de Piracicaba, João Orlando Pavão (à direita na foto), membro das diretorias da CMB e da FEHOSP, explica que, historicamente, a trajetória das Santas Casas no Brasil sempre foi marcada pelo empenho de lideranças voluntárias dispostas não apenas a assumir a direção dessas entidades, mas, sobretudo, garantir o envolvimento e apoio da comunidade.
Ele lembra que as Santas Casas foram implantadas há 417 anos no Brasil e, enquanto instituições filantrópicas sem fins lucrativos, sempre contaram com a retaguarda, inclusive financeira, da população. “Foi assim até 1988, com a implantação do SUS- Sistema Único de Saúde”, esclarece Pavão, frisando que, do ponto de vista financeiro, o cenário atual é muito pior. “Tudo por conta da defasagem de até 50% da tabela SUS, utilizada para ressarcir essas entidades pelos serviços que elas direcionam ao Sistema Único de Saúde”, avalia.
Embora a crise financeira seja imperativa, levando muitas Santas Casas ao colapso, há uma corrente que vislumbra o crescimento dessas instituições, justamente, por força da crise. “Se antes, as Santas Casas se limitavam a contar com as doações que recebiam da população, empresas e algumas instituições, hoje elas vão atrás de medidas efetivas para a garantia de recursos financeiros que lhes permitam prosseguir com a missão de oferecer assistência de qualidade, sobretudo, aos mais carentes.
Pavão credita essa iniciativa ao poder de mobilização das Santas Casas, que vêm se articulando de maneira ordeira e organizada ao longo dos últimos 15 anos, quando a CMB e a FEHOSP se colocaram à frente de movimentos tidos hoje como legítimos junto aos poderes constituídos e reconhecidos pela população como justos.
Como exemplo, ele cita o recente Movimento Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos no SUS – Acesso à Saúde: meu direito é um dever do governo, deflagrado em nível municipal no último dia 29 de junho, com repercussão estadual em 13 de julho e nacional, em 4 de agosto.
“Fomos a Brasília com uma caravana que garantiu a presença das 50 maiores Santas Casas do país, da Frente Parlamentar da Saúde em níveis estadual e nacional, de senadores, deputados estaduais e federais, em uma mobilização que levou a presidente Dilma Rousseff, o ministro da saúde Arthur Chioro, e o presidente do Senado federal Renan Calheiros, a receberem o presidente da CMB, Edson Rogatti, abrindo novos perspectivas de negociação das Santas Casas com a União”, disse Pavão.
Segundo ele, a comprovação de que as Santas Casas se constituem hoje nas maiores parceiras do SUS, sendo responsáveis por 51% de toda assistência SUS praticada no país, faz com que as autoridades comecem a vislumbrar a importância estratégica das filantrópicas. “A prática revela que o SUS seria inviável sem as Santas Casas; mesmo assim, essas entidades acumulam uma dívida global de R$ 21,5 bilhões devido aos atrasos e desatualização da tabela SUS”, esclarece Pavão.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Santa Casa de Piracicaba