Hospitais filantrópicos do RS fazem rifa, pedágio e jogos para driblar crise

De acordo com associação, repasses estão atrasados desde março.
Calendário de pagamentos será divulgado na próxima semana, diz governo.
Daniel Favero

Os hospitas filantrópicos acumulam um dívida de cerca de R$ 180 milhões, segundo estimativa da Associação das Santas Casas do Rio Grande do Sul. Conforme a entidade, o acumulado se deve ao atraso nos repasses do governo do Rio Grande do Sul. Para tentar contornar a falta de dinheiro, moradores atendidos pelos hospitas organizam rifas, jogos de futebol com nomes da dupla Gre-Nal, pedágios solidários e até a venda de produtos.

Segundo a associação, as dificuldades financeiras estão ocorrendo desde o primeiro trimestre de 2016. São devidos valores do período de março a maio de 2016 e de outubro a novembro do ano passado.

Conforme as associações das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do estado, não existe previsão para o pagamento dos repasses estaduais para as 173 unidades que sofrem os efeitos da demora mensal nos repasses.

Devido à situação, funcionários de diferentes hospitais estão com os salários atrasados. No Hospital São José, em Antônio Prado, na Serra gaúcha, o pagamento do 13º dos funcionários só foi possível por causa de uma rifa que premiou os participantes com um carro, um computador e um televisor.

“Essa rifa é algo tradicional, que a comunidade faz para ajudar. Apesar das dificuldades, conseguimos manter os salários em dia”, salienta o administrador da casa de saúde Diogenes Weber. “Como o local é pequeno, a comunidade é bastante engajada com o hospital”, comemora.

Já em Ivoti, o hospital São José recorre até a jogos de futebol para manter as contas em dia. No final do ano passado, uma das partidas contou com a presença do goleiro do Grêmio Marcelo Grohe. Também são realizadas festas e a vendas de fitas e adesivos, ao custo de R$ 2. Com ações, parte do recurso foi utilizado para compra de iluminação para a unidade.

Futuro incerto em Montenegro
Com atrasos nos salários e perspectivas de um futuro incerto, os funcionários do Hospital de Montenegro, no Vale do Caí, diminuiu o atendimento em 20% dos leitos, e suspendeu os atendimentos de 16 especialidades médicas. O motivo são os atrasos que somam R$ 11 milhões, em repasses do governo estadual.

“Os funcionários que recebem acima de R$ 2 mil estão com os salários atrasados, e o pior é que 200 mil pessoas podem ficar desamparadas. Não tem dinheiro para soro, para medicamento, e se não entrar recurso com urgência, o hospital vai parar”, afirma o integrantes da diretoria da Associação de Funcionários do Hospital de Montenegro Junior Tomás Drower.

Por conta dessa situação, a mobilização acontece em forma de protesto, além de uma trabalho de aproximação com o legislativo municipal.

“Tem casos de marido e esposa que trabalham no hospital, além de outras famílias que são sustentadas por quem trabalha aqui, muita gente que depende (…) Muitos dos médicos saíram logo em agosto quando começaram os atrasos, mas muitos seguem trabalhando sem receber, no amor”, conta Drower, que faz um desabafo ao falar sobre o que tem enfrentado.

“É uma angústia para a gente que trabalha com vidas, mesmo no administrativo, o foco são os pacientes. Trabalhamos sem saber do amanhã, cuidamos de vidas, sem saber se vai ter amanhã, sem saber se vamos poder pagar uma conta, se vamos poder comprar um alimento”, finaliza.

Hospital tem campanha permanente
Já em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, há uma campanha permanente para garantir recursos para o Hospital Ana Nery. São realizados eventos e e venda de produtos.

Só com a com a cobrança do pedágio solidário e do chá beneficente, no final do ano passado, foram angariados R$ 5,4 mil, que possibilitou a instalação de ar-condicionado para os leitos atendidos pelo SUS, e também para a compra de cadeiras para o setor de oncologia.

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul alega que o estado passa por sérias dificuldades financeiras, e que os hospitais aumentaram os custos de atendimento. Uma reunião com os hospitais com o governo estadual está sendo realizada nesta sexta-feira (13) para discutir soluções.

Calendário será divulgado na próxima semana
Por meio de nota, o governo informou que o calendário dos pagamentos para fornecedores será divulgado na próxima semana. As datas serão definidas com base no orçamento da Secretaria da Saúde, definido nesta sexta. “Com base nas cotas disponibilizadas, será feito o planejamento dos valores e datas para o repasse dos recursos”, finaliza o texto.

Fonte: Portal G1 – Rio Grande do Sul

 

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