Segundo a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, lançada nesta quinta-feira, dia 12 de janeiro, a privatização da saúde, com a transferência da gestão dos hospitais públicos para o setor privado, é uma das soluções para melhorar o atendimento. De acordo com o levantamento, das 2002 pessoas entrevistadas, 63% acreditam que uma mudança na gestão dos hospitais públicos para o setor privado melhoraria o atendimento dos pacientes.
No estudo por regiões, a opinião permanece: na Região Nordeste a parcela da população que concorda total ou parcialmente com a mudança é de 68% e na Região Sul, é de 57%.
Para o presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Entidades e Hospitais Filantrópicos (CMB), José Reinaldo Nogueira de Oliveira Junior, a pesquisa reflete o bom resultado que a atuação das entidades privadas estão tendo como gestoras dos hospitais públicos, especialmente por meio das Organizações Sociais. “Os novos modelos de gestão adotados pela administração pública brasileira estão se firmando cada vez mais nas parcerias público-privadas. E na Saúde não poderia ser diferente. A atuação das Organizações Sociais de Saúde responde às demandas crescentes da capacidade de atendimento, propondo soluções que otimizam a gestão hospitalar. E a população sente esta melhora”.
Recursos – Os entrevistados também apontaram o fim da corrupção como a solução para o problema da falta de recursos. A avaliação foi registrada por 82% dos entrevistados da pesquisa CNI/Ibope. O estudo mostrou também que 96% da população é contrária à criação de um novo imposto para melhorar o atendimento à saúde. Apenas 4% dos entrevistados disseram acreditar na necessidade de o governo aumentar impostos para obter mais recursos para o setor.
A CMB faz coro às entidades sociais e políticas quanto à necessidade de o governo adotar a Saúde como prioridade. Vale lembrar que os hospitais filantrópicos, entidades privadas sem fins lucrativos, com forte atuação no SUS, estão sofrendo uma progressiva descapitalização e endividamento, o que precariza as condições estruturais e a qualidade da assistência.
O levantamento apontou que 61% dos entrevistados em todo o país consideram a rede pública péssima ou ruim, tendo sido avaliada como boa ou ótima por apenas 10% da população. A avaliação mais positiva foi na Região Sul, onde 30% das pessoas ouvidas disseram que a qualidade do sistema de saúde de sua cidade é ótima ou boa. O Nordeste ficou com a pior avaliação: 62% qualificaram como ruim ou péssima.
Entre os entrevistados, 42% disseram que não perceberam melhorias no sistema nos últimos anos; e 43% opinaram que ele piorou. Além disso, 24% têm plano de saúde contratado, em sua maior parte pelo empregador. As campanhas de vacinação são a iniciativa mais visível, para o público, do sistema de saúde.
Qualidade dos hospitais – Em uma escala de 0 a 10 pontos, os hospitais públicos receberam dos entrevistados nota média de 5,7 e os privados, 8,1. A demora no atendimento aos pacientes foi citada por 55% dos entrevistados como o principal problema do sistema público de saúde.
Entre as medidas a serem tomadas para melhorar o serviço médico na rede pública, 57% dos entrevistados apontaram o aumento na contratação de profissionais. Para 71% dos entrevistados, as políticas preventivas de saúde são mais importantes que a construção de hospitais.
O estudo foi feito em 141 municípios, entre os dias 16 a 20 de setembro de 2011. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Confira a íntegra da pesquisa aqui.
Com informações da Agência Brasil.