O trabalho desenvolvido por equipe multiprofissional, composta por obstetras, pediatras, enfermeiras, psicólogas e assistentes sociais, possibilita a prevenção ou diagnóstico precoce e tratamento adequado para pacientes com quadro de depressão pós-parto na Maternidade Hilda Brandão, da Santa Casa BH.
Cerca de 1500 gestantes são admitidas mensalmente como pacientes da unidade, somando aproximadamente 360 internações, para tratamentos clínicos, e 320 partos. “10% a 15% das pacientes apresentam quadro de depressão pós-parto”, revela o obstetra Dr. Francisco Lírio Ramos Filho, coordenador médico da Maternidade Hilda Brandão.
De acordo com ele, a depressão pós-parto normalmente ocorre em mulheres que enfrentam determinados problemas. “Condições socioeconômicas, gravidez indesejada, ausência de apoio familiar – principalmente do parceiro, gestação de alto risco [com alterações fetais], doença materna grave, a identificação de alguma síndrome, são alguns dos fatores que podem ocasionar na depressão pós-parto”, explica.
Durante o pré-natal, quando constatados um ou mais fatores de risco, a equipe multidisciplinar trabalha para minimizar a chance de ocorrência da depressão pós-parto. “Desde sua internação, ou para tratamento clínico ou para assistência ao parto, as pacientes são acompanhadas pelo Serviço Social e psicologia, que fazem uma avaliação”, afirma o obstetra.
O acompanhamento de mãe e bebê continua ocorrendo mesmo após a alta hospitalar. “A depressão pós-parto pode acontecer um pouco mais à frente. Não necessariamente com a paciente internada. Então é importante, na atenção primária, quando a paciente retorna para avaliação após o 5º dia do parto, ser avaliada se há alguma sintomatologia”, explica o médico.
A depressão pós-parto é tratada conforme cada caso. “A paciente é encaminhada para um serviço de psicologia ou psiquiatria, para tratamento. Às vezes o suporte psicológico é suficiente. Ou, quando necessário, é encaminhada ao psiquiatra para um suporte com medicamento”, ressalta.
Baby Blues
O Baby Blues é um estado de melancolia passageiro, causado por alterações hormonais. Costuma ocorrer dois ou três dias após o parto. Não se trata de depressão pós-parto. De acordo com Dr. Francisco, essa condição é comum. “Atinge de 50% a 80% das pacientes. Ocorre no período do puerpério, após a retirada da placenta. A própria fisiologia da mulher normalmente cuida da regulação hormonal. Durante esse período, a paciente recebe suporte emocional”, explica.
Partos de alto risco
A Santa Casa BH é referência em Minas Gerais em partos de alto risco – situação de aproximadamente 30% dos realizados na Hilda Brandão. Os casos são encaminhados à SCBH após diagnóstico, no pré-natal.