A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre inaugurou ontem o seu Centro Integrado de Videocirurgia Avançada. No local, atuarão profissionais com características distintas que atuarão para resolver o mesmo problema. A ideia vai ao encontro do que prega o sociólogo italiano Domenico De Masi. De acordo com ele, se pessoas que possuem imaginação trabalharem juntas com pessoas também imaginativas, esse grupo nada vai criar. A mesma coisa acontece se forem colocadas apenas pessoas concretas, pois o grupo se tornará burocrático.
Com essa ideia, a Santa Casa passa a adotar o uso das salas. Até o momento, foram instaladas duas – uma no Hospital São Francisco e outra no Hospital Santa Clara – para a realização de procedimentos de alta complexidade. O resultado foi fruto da interação entre a ciência médica e a criação tecnológica.
A Sala Cirúrgica Multimídia Avançada do Santa Clara, terá 80% dos atendimentos voltados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Toda a parte de tecnologia da unidade foi feita em parceria com o Laboratório de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Além disso, todos os equipamentos utilizados são de produção brasileira. A videocirurgia proporciona ao paciente mais precisão e segurança, com recuperação mais rápida. Também possibilita que outros especialistas acompanhem o procedimento e interajam com o cirurgião, em qualquer lugar do mundo.
O local foi financiado pelo governo federal, através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. “A sala possuiu três monitores aéreos e duas câmeras que proporcionam ao médico visualizar a cirurgia e também interagir com os alunos. Um dos focos do projeto é utilizá-la como meio de aprendizado para esta tecnologia”, afirmou Valter Roesler, coordenador da sala e responsável pelo Laboratório de Informática da Ufrgs. Os monitores, além de auxiliarem no processo cirúrgico com recursos de filmagem e fotografia, servem para a visualização rápida dos exames que o paciente fez anteriormente.
Segundo Roesler, a primeira cirurgia foi realizada em março e contou com a tecnologia digital para a transmissão de imagens. “A operação pode ser acompanhada em qualquer lugar do mundo, desde que tenha qualidade de rede para transmitir as informações. Outros especialistas podem acompanhar e dar opinião sobre o procedimento até mesmo pelo celular ou tablet”, explica. Os custos foram reduzidos pela metade com a utilização de tecnologia brasileira. A sala do Hospital São Francisco, que utilizou tecnologia importada, custou em torno de R$ 1 milhão. Já a do Santa Clara, com software desenvolvido pela Ufrgs, saiu pela metade.
Roberto Pelegrini Coral, diretor do Santa Clara considera a videocirurgia uma grande revolução da medicina, pois o procedimento é minimamente invasivo. De acordo com ele, esta é a quarta sala inteligente do mundo. “No começo, achei que poderia não dar certo, pois era muito inovador. Mas com as parcerias realizadas, o projeto funcionou muito bem”, ressaltou.
FONTE: Jornal do Comércio (RS) – Jessica Gustafson