Artigo assinado pelo presidente da CMB, Edson Rogatti, foi publico pelo jornal O Estado de S.Paulo, nesta segunda-feira (11).
Confira a íntegra:
As Santas Casas resistem, apesar do Governo
Está claro para qualquer pessoa que precisa sustentar uma casa que a conta não fecha. Em São Paulo, por exemplo, 69 instituições precisaram de intervenção municipal, para 31 delas a ajuda não foi suficiente e elas foram fechadas, reduzindo o número de hospitais que atendem usuários do SUS.
Assim, voltando à simplicidade da questão, a solução, igualmente óbvia, é equilibrar a receita com os gastos. Não importa se pela atualização da tabela, coisa que o Governo não quer se comprometer, ou com um novo instrumento que interrompa o rombo nas contas. Para os gestores dos hospitais será satisfatório qualquer mecanismo que, efetiva e rapidamente, estanque o prejuízo.
No entanto, os anos nessa luta para convencer as autoridades a cumprirem o combinado já provaram para as Santas Casas que é necessário mais do que argumentações sensatas e subsidiadas por números. Somente a realidade sinistra e carregada de maus presságios é pouco para motivar medidas concretas do aparelho estatal.
Estamos convencidos de que a batalha é perdida sem a pressão dos brasileiros. Por isso, nosso novo front de resistência – além da manutenção do atendimento à população, como é nossa responsabilidade – é a tentativa de mobilização popular.
Estamos empenhados no Movimento Nacional ‘Acesso à saúde – Meu direito é um dever do Governo’, que reúne os representantes das Santas Casas, os maiores hospitais filantrópicos do país e conta com apoio de diversos setores da sociedade. Essa iniciativa está promovendo atos em cidades de todo o país para esclarecer a população sobre o que está acontecendo. E vai culminar com manifestações em assembleias e no Congresso.
Tenho confiança de que, em breve, esse movimento terá grande apoio popular e poderemos deixar claro que a maioria dos cidadãos é a favor do SUS e de uma saúde pública de qualidade. E que toda essa gente espera que os seus representantes atuem para que isso se torne realidade e para proteger os seus direitos. Caso contrário, que se troquem os representantes.
Edson Rogatti é presidente da Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo) e da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB).
O texto também pode ser conferido na última news do Movimento Acesso à Saúde.