Castro na Saúde é mais um erro de Dilma

Fraca, ela cedeu a uma indicação política inadequada para a função

KENNEDY ALENCAR 

A presidente Dilma Rousseff tem razões de sobra para estar insatisfeita com o ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB-PI). Ontem, ela ficou contrariada com mais uma declaração desastrada do titular da pasta.

Mas a culpa pelo erro político de ter Castro no comando da Saúde é só dela. Mesmo enfraquecida, não tinha o direito de entregar área vital num momento de um grande desafio a uma indicação política tão despreparada para a função. Poderia até ter feito uma composição política, mas deveria ter demandado preparo técnico para a função.

Por ora, Castro deve continuar no cargo, mas está a caminho da queda. Vem crescendo entre os auxiliares mais próximos da presidente a avaliação de que o ministro não tem condição de continuar à frente da Saúde, mas, como se trata de uma indicação política para render votos na Câmara contra o pedido de abertura de impeachment da presidente Dilma Rousseff, não seria a hora de tirá-lo do cargo.

A chegada de Marcelo Castro ao importante Ministério da Saúde foi resultado de uma barganha política com o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). Aconteceu num momento em que a presidente sofria as ameaças do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de acatar um pedido de abertura de processo de impeachment. Cunha acabou aceitando esse pedido, apesar da barganha política.

Está claro hoje que foi um erro tremendo indicar Castro para a Saúde. Frequentemente, ele é descrito na imprensa como um ministro sincero, porque disse ontem, por exemplo, que o Brasil está perdendo “feio” a guerra contra o mosquito Aedes aegypti. É verdade.

Mas, talvez pela formação em psiquiatria, deveria ser comparado ao Analista de Bagé, personagem do genial Luís Fernando Veríssimo.

O “sincericídio” de Castro sobre o mosquito aconteceu num momento em que o Palácio do Planalto trabalha o conceito de guerra coletiva, de toda as esferas de governo (União, Estados e municípios) e da sociedade contra o mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya.

Isso não é ser sincero. É destruir uma estratégia. É estimular o pânico num momento em que são exigidas ações do governo, sobretudo do ministro da Saúde, que deveria saber liderar esse combate. Não é preciso nem lembrar o estoque de frases desastradas, como “sexo é para amador, gravidez é para profissional”, para constatar que Marcelo Castro não deveria ter virado ministro da Saúde.

Apesar de ainda precisar enterrar o pedido de abertura de processo de impeachment na Câmara, a presidente será obrigada a mudar o comando da Saúde.

As doenças transmitidas pelo mosquito são assuntos sérios demais para fingir que dá para ir empurrando esse problema com a barriga. A presidente deveria agir logo, mas o mais provável é esperar a eleição para a liderança do PMDB na semana que vem.

O governo tentará emplacar a reeleição do atual líder, Leonardo Picciani. Se tiver sucesso, deverá dar início a um processo de negociação com o ala governista do PMDB para demitir o ministro ou deslocá-lo para outra função.

O ministério da presidente é muito fraco. Está cheio de ministros que poderiam, no máximo, ser chefes de gabinetes. É uma equipe que reflete a insegurança e o autoritarismo centralizador da presidente. Mas há limite para tudo.

Na época da Copa do Mundo, falava-se no fantasma do gargalo de logística. Não teríamos aeroportos, estádios, hotéis etc. A Copa foi um sucesso desse ponto de vista. Esse fantasma não assusta em relação às Olimpíadas, mas a ameaça de pegar uma doença assusta. Esse problema vai crescer.

Há também a saúde dos brasileiros de um modo geral. Não dá para impedir as mulheres de engravidar. Não se interrompe a vida real, apesar de medidas pontuais e de alertas sobre os riscos serem importantes, sobretudo nos Estados mais afetados.

A Saúde é uma área muito delicada, que tem outros problemas gravíssimos. Não pode ser tratada com desdém nem ser objeto de reuniões semanais como a que fez ontem a presidente.

Chama um grupo de ministros, designa duas centenas de militares para agir, distribui quatrocentos mil repelentes de mosquito a mulheres e ponto. São medidas que já deveriam ter sido adotadas se o Ministério da Saúde tivesse um comando competente.

Essa mania de uma presidente que quer ser ministra da Fazenda, presidente do Banco Central, presidente da Petrobras, ministra das Minas e Energia, ministra da Saúde e por aí em diante é um dos motivos que levaram o governo Dilma a entregar esses resultados desastrosos na economia, na política e agora até na área social.

Fonte: Blog do Kennedy

 

Últimas Notícias

32º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos

31º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos

Programação oficial do 33º Congresso CMB aprofunda temas estratégicos para o setor filantrópico

CMB se reúne com o Ministério da Saúde e reforça participação no Congresso CMB 2025

Eventos CMB

No data was found

Receba Novidades da CMB

Complete com seus dados e receba em primeira mão atualizações, evento, informativos e notícias no seu email e whatsapp.

Nome:
Email:
Instituição:
Celular:
Cargo:

Contatos CMB

Fone: +55 (61) 3321-9563

Email: cmb@cmb.org.br

Endereço: SCS Qd. 1, Bloco I, Ed. Central, Salas 1202/1207 Brasília/DF

Visite a CMB