Dia Internacional do Idoso é comemorado nessa quinta-feira, 1º
Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida atual dos brasileiros é de 74,9 anos. Dados de todo o mundo apontam para o envelhecimento progressivo da população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o planeta terá 2 bilhões de idosos até 2050, o que torna as doenças crônicas e o bem-estar da terceira idade os novos desafios da saúde pública global.
O Dia Internacional do Idoso, comemorado em 1º de outubro, é ocasião mais que propícia para alertar hospitais, profissionais e autoridades da saúde sobre a necessidade latente de adotar estratégias para alterar os modelos de atendimento.
“Todo país deve adaptar seu sistema de saúde à população que assiste. É um direito do cidadão ter acesso a serviços que atendem a suas necessidades”, afirmou a responsável pela criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados e Paliativos em Portugal, Maria Inês Rodrigues Guerreiro, durante sua passagem pelo XI Congresso Internacional das Misericórdias e 25º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, realizado em Salvador na última semana.
Para a médica paliativista do Hospital Santa Izabel, da Santa Casa da Bahia, Manuele Alencar, nenhum serviço de saúde vai sobreviver sem a adoção de cuidados paliativos. A especialista afirma que o modelo dicotômico que existe hoje, onde se pensa numa assistência voltada apenas para a enfermidade e a cura, funciona muito bem para o tratamento de eventos agudos, como pneumonias. “Mas a doença crônica não é assim, ela continua. Se o profissional não tem um olhar diferenciado sobre esses casos, ele provavelmente vai tratar os pacientes de maneira inadequada”, atesta.
O Santa Izabel tem a única enfermaria de Salvador que oferta 12 leitos para a assistência exclusiva em cuidados paliativos. A maioria dos pacientes é idosa. “A grande questão é que o ensino formal da medicina não ensina a cuidar de pessoas, mas de doenças. Aqui, trabalhamos no aprimoramento da qualidade de vida desses indivíduos, com atenção estendida às suas famílias”, afirma Manuele Alencar.
Após quatro dias de implantação do atendimento especializado, no mês de julho, a equipe do Hospital Santa Izabel comemorou a desospitalização de uma paciente idosa que estava internada há mais de 400 dias. Dois meses depois, outra hospitalizada voltou para casa, após 10 anos de internação.