LANÇAMENTO
Programa promove melhoria da gestão em Hospitais Filantrópicos
A Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e o Fórum Nacional dos Programas Estaduais e Setoriais de Qualidade, Produtividade e Competitividade (QPC) lançarão, no dia 22 de janeiro, em Belo Horizonte, o Programa Nacional de Melhoria da Gestão em Hospitais Filantrópicos (Mais Gestão). Ousado, o programa prevê uma rápida redução de desperdícios, o aumento na produtividade e qualidade através da melhoria dos processos, além da capacitação, engajamento e motivação da equipe profissional, resultando na melhora significativa do atendimento à população. Os investimentos serão financiados, principalmente, pelo Instituto Gerdau e Petrobrás.
Na primeira fase participarão 257 hospitais, de todas as regiões do país, filiados à CMB, divididos em seis grupos sediados nas capitais dos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Distrito Federal. Posteriormente, segundo o coordenador nacional do programa, José Luiz Spigolon, novos hospitais serão selecionados para participarem das próximas fases, observando os critérios exigidos, até que se atinjam todos os hospitais filiados.
A experiência já foi executada na Federação do Rio Grande do Sul, onde 50 dos 239 hospitais a ela filiados participaram do projeto-piloto. De acordo com Sérgio Vallin, responsável pela implantação do Programa, os desperdícios diminuíram significativamente após o início do acompanhamento. Por isso a grande expectativa em torno dos resultados dessa primeira etapa do programa nacional, quando mais hospitais executarem mudanças práticas e eficientes. “Saúdo essa iniciativa e parabenizo seus organizadores. É muito importante melhorarmos a gestão no Sistema Único de Saúde, sobretudo para reverter recursos financeiros em melhoria da assistência à população”, afirmou o ministro da saúde, José Gomes Temporão.
Durante a capacitação, com duração de 40 semanas, cada hospital em treinamento receberá suporte para identificar e selecionar um processo – como controle de materiais, da recepção à alta do paciente, lavanderia, esterilização, etc – que precisa ser revisto. A partir daí, a equipe de Consultores Técnicos, com o objetivo de obter melhorias num curto período de tempo, realizará uma assessoria personalizada em cada um dos 257 hospitais participantes. “A partir da experiência vivenciada pela Santa Casa de Porto Alegre, instituição vencedora do Prêmio Nacional da Qualidade de 2002, um grupo de técnicos elaborou uma solução adequada à realidade dos Hospitais Filantrópicos, a qual foi aplicada com êxito em hospitais de menor porte. O nível de satisfação dos participantes foi de mais de noventa por cento, considerando as várias etapas da execução do Programa”, observou o presidente do Fórum Nacional de QPC, Luiz Pierry.
De acordo com o presidente da CMB, Antônio Brito, o Mais Gestão ousará ao realizar uma mudança no gerenciamento de hospitais, principalmente porque a situação em muitos deles é muito delicada. “Estamos buscando melhorar a gestão com o apoio da iniciativa privada e esperamos que o governo faça a sua parte continuando a recuperação da defasagem dos valores da tabela do SUS”, concluiu Brito. A defasagem de valores na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), em alguns casos girando em torno de 70%, implica na falta de capacitação de recursos humanos e redução no número de atendimentos, sendo a população a maior prejudicada.
Um passo de cada vez
A divisão das atividades do Mais Gestão é direcionada para o maior e melhor aproveitamento dos hospitais. Acompanhe abaixo todas as etapas do processo.
1. Workshop Pensamento Estratégico – Iniciação aos métodos de planejamento estratégico, incluindo o desenvolvimento da visão, missão e negócio da instituição. A partir disso, elaborar uma análise de cenários, fatores críticos de sucesso e definir as estratégias a serem utilizadas.
2. Workshop Gestão Financeira – Apresentação da demonstração financeira, impostos e fluxo de caixa dos hospitais, tratamento contábil das isenções (filantropia), conceitos de custos, liquidez, orçamento. Nessa etapa será elaborado um diagnóstico e relatório sobre serviços de terceiros.
3. Workshop Gestão de Processo – Explicação de conceitos sobre cadeia de valor, caracterização e identificação dos elementos de um processo, construção do fluxo de processo (exercício prático), além da definição de indicadores de processo e construção do plano de melhoria.
4. Workshop “5S” – A equipe técnica de cada hospital receberá todas as informações e treinamento sobre a importância e conceituação da ferramenta dos “5Ss”. Neste momento ocorrerá a aplicação da ferramenta e apresentação de modelos de auditoria.
5. Seminário Kaizen – Durante o seminário, cada instituição definirá o processo a ser trabalhado, segundo os processos críticos sugeridos. Envolve, ainda, a apresentação da metodologia Kaizen Blitz e a conceituação do fluxo do processo.
6. Kaizen Blitz – Com o propósito de melhorar a gestão operacional, o Kaizen Blitz será realizado em cada um dos 253 hospitais participantes, com foco total em um determinado processo ou área visando a melhoria de impacto num curto período de tempo.
7. Pós Kaizen – Durante um dia será verificado o cumprimento do plano de ação decorrente do evento Kaizen Blitz, realizando uma auditoria dos resultados obtidos e acompanhamento da apresentação dos resultados do Kaizen Blitz pela equipe do hospital à sua alta direção.
8. Módulo de Informática – Consiste no treinamento para a utilização do software disponibilizado pelo Programa.
Critérios de Seleção
Os hospitais filantrópicos selecionados para participar do Mais Gestão precisam cumprir os pré-requisitos listados abaixo.
• ser hospital sem fins lucrativos;
• estar associado à Federação do seu estado ou à CMB, nos que não há federação em funcionamento;
• ser importante para o SUS, na região;
• dispor de estrutura orgânica estatutária claramente definida (com Provedor ou Presidente voluntário) e direção executiva contratada e em caráter permanente (Administrador ou Diretor Executivo);
• apresentar sinais de crise e ou capacidade de ser multiplicador do treinamento recebido para outros hospitais similares da região;
• oferecer garantia de longevidade na aplicação do projeto;