Primeiro dia do 34º Congresso da CMB reúne reflexão, inovação e defesa da sustentabilidade da saúde filantrópica

Programação contou com palestra magna, debates sobre gestão e inovação, apresentação de parceria social, atividades simultâneas no Palco 360 e cerimônia oficial de abertura

O primeiro dia do 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos reuniu, nesta terça-feira (18), em Brasília, gestores, profissionais, especialistas, autoridades e representantes de instituições de diferentes regiões do Brasil. Realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), o encontro teve como eixo central o tema Saúde: a escolha que transforma o País.

A programação foi marcada por reflexões sobre o futuro da assistência, debates relacionados à sustentabilidade financeira, apresentação de iniciativas sociais e discussões sobre inovação, gestão, tecnologia e relações de trabalho. O dia foi encerrado com a cerimônia oficial de abertura, que reforçou o papel estratégico das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Pessoas no centro da transformação

Após o brunch de boas-vindas, a programação científica começou com a palestra magna de Daniel Keller, consultor, mentor e autor do livro Antes de tudo, as pessoas.

Durante a apresentação, Keller convidou os participantes a refletirem sobre o risco de naturalizar problemas que fazem parte da rotina das instituições. O palestrante defendeu a necessidade de ampliar o olhar para os desafios presentes e futuros, mantendo as pessoas no centro das decisões.

A palestra também aprofundou o tema escolhido para o Congresso. A saúde foi apresentada não apenas como assunto de debate, mas como uma escolha que exige responsabilidade, posicionamento e participação ativa de gestores, profissionais, lideranças e instituições.

Gestão estratégica e sustentabilidade

Na sequência, a programação abordou a gestão estratégica de recursos na saúde filantrópica. O debate contou com a participação do diretor-executivo do Fundo Nacional de Saúde, Dárcio Guedes, e foi moderado pela presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Espírito Santo (FEHOFES), Vera Mantelmacher.

A atividade tratou de temas fundamentais para a sustentabilidade das instituições, como planejamento orçamentário, execução financeira e mecanismos de financiamento público. O encontro reforçou a importância de uma gestão cada vez mais qualificada para assegurar a continuidade dos serviços e ampliar a capacidade de atendimento à população.

Parceria amplia acesso à saúde

Outro destaque foi a apresentação do projeto Quando o Cuidado Chega Mais Longe, resultado de uma parceria entre a CMB e a Uber. A iniciativa busca ampliar o acesso à saúde em comunidades vulneráveis por meio da telemedicina e da mobilidade.

Participaram do momento o presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim; a representante da Uber, Gabriela Silveira; Maria da Penha Rodrigues D’Avila, provedora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória; Irmã Rosane Ghedin, diretora-presidente da Casa de Saúde Santa Marcelina; e Daniela Moreno, coordenadora de aprendizagem da Fundação José Silveira.

A apresentação destacou como a união entre instituições filantrópicas e empresas pode contribuir para superar barreiras de acesso e fazer com que o cuidado chegue a pessoas e territórios que enfrentam dificuldades de deslocamento e atendimento.

Palco 360 promove debates simultâneos

No final da tarde, o Congresso abriu as atividades do Palco 360, espaço criado para promover o compartilhamento de experiências, a circulação de conhecimento e a construção de novas conexões.

Quatro atividades foram realizadas simultaneamente. O painel Conectando Experiências, Transformando Realidades apresentou a experiência da Santa Casa da Misericórdia do Peso da Régua, de Portugal. Já o debate Da Incorporação ao Cuidado: o Papel da Saúde Filantrópica na Inovação em Saúde reuniu especialistas para discutir a adoção de novas tecnologias e seus impactos na assistência.

O Pitch Time abriu espaço para a apresentação de soluções voltadas aos desafios da gestão e do cuidado. Em outro palco, o painel Jornada de Trabalho em Transformação: Desafios e Perspectivas para os Hospitais Filantrópicos analisou as mudanças nas relações de trabalho e seus efeitos sobre as instituições.

Com um sistema de áudio individual, cada participante pôde escolher qual atividade acompanhar, permitindo a realização de diferentes discussões no mesmo ambiente.

Cerimônia oficial de abertura reúne autoridades e lideranças

À noite, a cerimônia oficial de abertura reuniu representantes do governo federal, do Parlamento, de organismos internacionais, de entidades da saúde e das federações estaduais que integram a CMB.

Participaram da solenidade o presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim; a vice-presidente da entidade, Dora Nunes; o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o deputado federal Antonio Brito; além de representantes da Organização Pan-Americana da Saúde, da Caixa Econômica Federal, do Conass, do Conasems e de outras organizações do setor.

Os pronunciamentos destacaram a presença histórica das Santas Casas na formação da saúde brasileira, a importância da rede filantrópica para o funcionamento do SUS e a necessidade de avançar no financiamento dos serviços.

Flaviano Feu Ventorim ressaltou que as instituições precisam alcançar resultados que possam ser reinvestidos na própria assistência. Também destacou que a mobilização do setor busca “melhorar a saúde do país e a saúde das pessoas, através de formação, através de pesquisa e através de qualidade”.

Geraldo Alckmin abordou o papel das Santas Casas no atendimento hospitalar, especialmente nos municípios em que são a principal referência para os usuários do SUS. O vice-presidente também apontou o envelhecimento da população, o aumento das doenças crônicas e a incorporação de novas tecnologias como fatores que tornam o financiamento da saúde ainda mais desafiador.

Antonio Brito apresentou avanços construídos por meio da articulação entre as instituições filantrópicas, o Congresso Nacional e o governo federal. Entre os temas abordados estiveram a revisão periódica dos valores pagos pelos serviços prestados ao SUS e a ampliação do acesso a linhas de crédito para a reorganização financeira dos hospitais.

Ao relacionar a missão das instituições ao tema do Congresso, Flaviano sintetizou a mensagem do primeiro dia: “Eu tenho certeza que a saúde é a melhor delas e nós estamos aqui para devolver saúde para essa população”.

Com uma programação voltada ao conhecimento, ao diálogo e à construção de soluções, o primeiro dia do 34º Congresso da CMB mostrou que transformar a saúde depende de escolhas realizadas coletivamente. Os debates continuam com novas discussões sobre assistência, financiamento, inovação, gestão e sustentabilidade da rede filantrópica.

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