Seis anos de atuação institucional à frente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, sob a liderança de Mirócles Véras
O ciclo de 2020 a 2026 consolida um período intenso e desafiador para a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), marcado por pandemia, crises econômicas, mudanças regulatórias e pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse intervalo, a CMB intensificou sua atuação institucional em três frentes centrais: articulação federativa com gestores públicos, incidência legislativa e desenvolvimento de iniciativas estruturantes para qualificação e sustentabilidade da rede filantrópica.
Ao encerrar o 33º Congresso da CMB, em 2025, o presidente Mirócles Véras sintetizou o sentido do período como uma construção coletiva, baseada em resposta emergencial, reconstrução política e evolução técnica.
2020-2021: resposta emergencial e reorganização institucional
O início do ciclo coincidiu com a Covid-19 e impôs à CMB uma atuação de crise, com articulação junto ao Ministério da Saúde, Congresso Nacional e organismos do SUS para continuidade assistencial, financiamento e flexibilizações necessárias ao funcionamento dos hospitais.
Nesse contexto, destacam-se medidas emergenciais e de sustentação operacional que aparecem como marcos do período, incluindo a articulação legislativa para aportes e regras de excepcionalidade contratual, além de ações diretas para enfrentamento de gargalos críticos de insumos, como a operação emergencial de importação do chamado “kit intubação” para hospitais filantrópicos, em coordenação com órgãos reguladores.
Em 2021, a CMB também estruturou bases para atuação contínua em áreas estratégicas, como a saúde suplementar filantrópica, com a criação da Rede CMB de Saúde Suplementar, que organizou o diálogo técnico e institucional das operadoras vinculadas ao setor.
2022-2024: consolidação política, expansão do engajamento e avanço legislativo
A partir de 2022, a Confederação fortaleceu instâncias de governança e ampliou sua presença institucional em agendas políticas e técnicas. Com destaque para conquistas e articulações legislativas relevantes, com participação ativa em frentes parlamentares e agendas estruturantes para financiamento e sustentabilidade do setor.
Em 2023 e 2024, a CMB intensificou o relacionamento com o Ministério da Saúde e instâncias tripartites, ampliou presença em eventos nacionais e consolidou atuação em torno da tramitação do PL nº 1.435/2022, base da Lei nº 14.820/2024. O ciclo culmina, em 2024, com a sanção da Lei nº 14.820/2024, marco histórico ao estabelecer a revisão periódica dos valores de remuneração dos serviços prestados ao SUS.
A lei é uma conquista estruturante, atribuída a uma articulação ampla que envolveu Parlamento, gestores do SUS e instâncias técnicas, com menção expressa à liderança do deputado Antônio Brito na pauta legislativa.
2025: implementação da Lei nº 14.820, intensificação institucional e agendas estruturantes
Em 2025, a Lei nº 14.820/2024 se desloca para a fase de implementação e regulamentação, com acompanhamento técnico e institucional contínuo junto ao Ministério da Saúde e áreas especializadas. A gestão atuou em ações específicas vinculadas à operacionalização da pauta, incluindo publicações e republicações de portarias, notas de orientação e agendas com secretarias e equipes técnicas.
O ano também é marcado pela ampliação do relacionamento com o Poder Executivo e por agendas de articulação com parlamentares: foram registradas 73 reuniões com o Ministério da Saúde e secretarias especializadas e 16 reuniões estratégicas com parlamentares, além de ampla presença em eventos nacionais do setor.
Paralelamente, a CMB intensificou sua atuação diante da Reforma Tributária, promovendo debates técnicos e orientação institucional sobre impactos e salvaguardas, além de acompanhar marcos normativos correlatos.
Governança interna e articulação federativa como método de condução
A condução do ciclo é sustentada por rotinas de governança e alinhamento com federações estaduais, conselhos e grupos técnicos. Em 2025, foram registradas mais de 20 reuniões de conselhos (Administração e Consultivo) e a manutenção de reuniões com técnicos das federações como espaço de articulação técnica e institucional.
No mesmo ano, o Comitê Jurídico manteve agenda de acompanhamento de temas com impacto direto no setor, como judicialização, desdobramentos da Lei nº 14.820/2024, CEBAS e segurança jurídica na contratualização com o SUS.
Projetos e ações estruturantes: atuação técnica, eficiência e modernização da rede
Além da incidência político-institucional, o período foi marcado pela execução e desenvolvimento de projetos e ações voltados à qualificação, ao ganho de eficiência operacional e à modernização da rede filantrópica. As iniciativas foram conduzidas com foco em aplicação prática, escala e apoio direto às Santas Casas e hospitais filantrópicos que atuam no SUS.
Formação de lideranças e qualificação: CMB Academy
Criado durante o mandato, o CMB Academy estruturou uma agenda permanente de capacitação para dirigentes e gestores da rede filantrópica. Ao longo do período, consolidou parcerias com instituições de referência, como a Fundação Dom Cabral, a 8SR – Gestão & Valor em Saúde e o Centro Universitário São Camilo, viabilizando programas executivos, cursos de especialização e trilhas formativas em governança, gestão financeira e eficiência operacional.
Entre 2021 e 2025, cerca de 900 profissionais participaram das formações, contribuindo para a profissionalização da gestão hospitalar em diferentes regiões do país.
Eficiência operacional e sustentabilidade financeira: Projeto Consolida
O Projeto Consolida avançou como instrumento de compras organizadas e racionalização de custos. Durante o período, passou por reformulação estratégica, formalização de parcerias e ampliação de adesões, fortalecendo a negociação coletiva e a previsibilidade nos processos de aquisição. A iniciativa gerou ganho de escala, redução de custos médios e maior organização das compras hospitalares.
Focus DRG
O Focus DRG foi desenvolvido como frente técnica para aprimorar a gestão clínica e financeira das instituições filantrópicas. O projeto promoveu capacitação de equipes e disseminação do uso de dados assistenciais, contribuindo para melhor leitura da produção hospitalar, otimização de fluxos e maior eficiência na utilização dos recursos do SUS.
Transformação digital e integração da rede: Santas Casas Conectadas
A CMB estruturou o Santas Casas Conectadas com foco na integração da rede filantrópica por meio da telessaúde. Foram realizados estudos técnicos, pesquisas com hospitais e workshops preparatórios, culminando na implantação de fase piloto com instituições de diferentes regiões, voltada à troca de informações, apoio à decisão clínica e cooperação assistencial.
Acesso e mobilidade em saúde: Projeto Uber Health
O Projeto Uber Health foi implementado em 2025, como piloto em três hospitais filantrópicos, integrando telemedicina e mobilidade para ampliar o acesso à saúde em populações vulneráveis. A iniciativa combinou acompanhamento remoto e transporte assistido para perfis específicos de pacientes, contou com investimento de US$150 mil, monitoramento de indicadores e acompanhamento técnico da CMB, funcionando como modelo replicável em escala nacional.
Qualidade, segurança e proteção institucional: Projeto SANTA e CMB Protege
No campo da qualidade assistencial, a CMB participou da implantação do Projeto SANTA, no âmbito do PROADI-SUS, voltado à segurança do paciente, conformidade normativa e maturidade institucional. Paralelamente, foi desenvolvido o CMB Protege, com foco em cibersegurança e proteção institucional, ampliando a atenção às vulnerabilidades digitais das organizações de saúde.
Dados e inteligência institucional: Cenários da Filantropia
A publicação regular do boletim Cenários da Filantropia consolidou o uso de dados como instrumento de diálogo institucional, reunindo indicadores sobre a atuação da rede filantrópica e subsidiando debates técnicos, articulações políticas e formulação de políticas públicas para o setor.
Ações emergenciais e agendas contínuas
O período também foi marcado por ações emergenciais e programas contínuos, como a campanha “Salvando Vidas”, a ampliação do CMB Online como canal permanente de orientação e capacitação, além de articulações em agendas sensíveis, incluindo crédito, sustentabilidade financeira, pisos salariais e fontes de custeio.
Congressos da CMB: fórum estratégico de pactuação, diretrizes e anúncios institucionais
Os Congressos Nacionais da CMB não operam apenas como encontros setoriais, mas como espaço de articulação federativa, pactuação político-institucional e construção de diretrizes para o setor.
Após a suspensão causada pela pandemia, o evento foi retomado em 2022 e, nas edições de 2023 e 2024, consolidou-se em escala e presença institucional.
Em 2022, o 30º Congresso foi marcado pela retomada presencial, reunindo mais de 1.100 participantes e 270 instituições, com um foco claro em sustentabilidade financeira e gestão hospitalar. Em 2023, o 31º Congresso seguiu com o tema “Convergir para evoluir – juntos criamos o futuro”, e trouxe trilhas temáticas sobre financiamento, gestão hospitalar, saúde suplementar, inovação e tecnologia, com mais de 1.100 participantes e 270 instituições, sendo um importante ponto de convergência para discutir as transformações necessárias para o setor filantrópico no SUS.
Em 2024, no 32º Congresso, realizado com 1.300 participantes e 330 instituições, o tema “Ações e caminhos para a transformação” destacou a eficiência na transformação digital, qualificação de equipes, inteligência artificial e o fortalecimento do relacionamento institucional com o poder público. Este evento teve um impacto significativo nas discussões sobre governança hospitalar, sustentabilidade econômica e inovação, proporcionando um ambiente de construção coletiva de soluções práticas para os desafios do setor.
Em 2025, o 33º Congresso, com mais de 1.300 participantes e 500 instituições representadas, consolidou-se como um marco, reunindo as principais lideranças do setor sob o tema “Além do cuidar, somos voz. O paciente no centro do debate reflete o nosso compromisso com a saúde pública”. Entre os destaques dessa edição, estão o fortalecimento do programa “Agora Tem Especialistas” e o lançamento de novas soluções de financiamento para as Santas Casas. O Congresso de 2025 também deu início a importantes iniciativas estruturantes, como a ampliação da Iniciativa Angels no combate ao AVC, além de abordagens sobre contratualização, formação de profissionais de saúde, e a transformação digital no setor filantrópico.
Mobilização nacional: mutirão de cirurgias e cooperação interinstitucional
Entre as entregas, o Mutirão de Cirurgias dos Filantrópicos se destacou como uma das ações mais impactantes da CMB, realizada junto ao Ministério da Saúde, e em parceria com o CONASS e o CONASEMS, dentro do programa “Agora Tem Especialistas”. O objetivo central foi reduzir as filas de espera por cirurgias eletivas no SUS e ampliar o acesso ao atendimento especializado, utilizando a rede filantrópica de hospitais.
Com 188 hospitais mobilizados em 19 estados, o mutirão realizado nos dias 13 e 14 de dezembro de 2025 resultou na realização de 9 mil cirurgias eletivas por 134 hospitais filantrópicos. Além disso, foram ofertados 61,6 mil procedimentos, entre cirurgias e exames, consolidando o esforço conjunto das instituições para ampliar o acesso aos serviços de saúde e reduzir a demanda reprimida.
Além do volume expressivo de atendimentos, o mutirão também foi marcado por uma mobilização institucional de grande escala. A CMB Online, com 1.095 participantes simultâneos, foi um dos maiores eventos digitais da instituição em 2025, reunindo representantes do Ministério da Saúde, CONASS e CONASEMS, além de gestores e profissionais da saúde. A Confederação disponibilizou kits de comunicação completos para hospitais filantrópicos e federações estaduais, incluindo artes, cartazes e faixas, para fortalecer a mobilização local e envolver comunidades, gestores e equipes hospitalares.
O mutirão teve um impacto direto na ampliação do acesso a consultas e exames, especialmente em regiões com maior carência de atendimento especializado, e fortaleceu o papel social e assistencial dos hospitais filantrópicos dentro do SUS.
Encerramento de ciclo
O encerramento deste ciclo não se resume a um balanço de resultados, mas representa a consolidação de um método de atuação institucional que teve como pilares a articulação política, a governança ativa, a presença territorial, a qualificação contínua e a construção de projetos replicáveis. Mais do que um fechamento de mandato, o ciclo reafirma a dimensão coletiva do trabalho da CMB, alinhada ao compromisso da Confederação com o fortalecimento do SUS e da rede filantrópica de saúde.
A CMB agradece profundamente a liderança de Mirócles Véras durante todo o período à frente da Confederação. Sua dedicação incansável ao fortalecimento da rede filantrópica foram essenciais para que as conquistas alcançadas se materializassem. Sob sua presidência, a CMB não só consolidou sua posição como referência institucional, mas também avançou significativamente em áreas-chave como sustentabilidade financeira, qualificação e inovação no SUS.
Agradecemos também pela forma como imprimiu um caráter estratégico e coletivo à gestão, sempre alinhado com o compromisso da CMB em promover o fortalecimento da filantropia.