Antibióticos: como p uso excessivo tem contribuído pata o adoecimento das pessoas

De acordo com estudo encomendado pelo governo britânico, superbactérias irão matar uma pessoa a cada três segundos em 2050 se medidas não forem tomadas imediatamente. Esse número representará 10 milhões de mortes por ano causadas por infecções resistentes a antibióticos, a um custo de US$ 100 trilhões. As iniciativas criadas com o objetivo de reverter esse cenário já são uma realidade no Hospital Santa Izabel, que lançou em 2017 o Programa de Stewardship de Antimicrobianos, que busca justamente diminuir o uso excessivo ou inadequado dos antibióticos.

“O uso desses medicamentos, tanto em humanos como na agropecuária, leva ao surgimento de micro-organismos resistentes e estes podem causar infecções de difícil tratamento, causando danos aos pacientes que podem levar à morte”, explica a infectologista Silvia Sclowitz Coelho. Ela é uma das especialistas que fazem parte do programa no Hospital Santa Izabel que, entre outras iniciativas, realizam avaliação diária dos antimicrobianos prescritos e discussão com equipe médica para uso racional, limitações no sistema do prontuário eletrônico para uso de antimicrobianos, e elaboração, discussão e atualização dos protocolos do uso de antibióticos para profilaxia e tratamento.

A especialista afirma que 30 a 50% dos antibióticos prescritos são desnecessários ou tem alguma inadequação. Isso acontece por várias razões. “O antibiótico muitas vezes é prescrito para infecções virais, condição que não é afetada pelo medicamento, e existe a cultura de que o antibiótico deverá ser utilizado por um tempo fixo, independente da resposta clínica do paciente e dos resultados de culturas e dos exames de laboratório”, explica Silvia. Ela afirma ainda que existem evidências científicas que apontam que o antibiótico profilático deve ser usado somente no intra-operatório e em algumas raras exceções por no máximo 24 a 48 horas.

“A situação é agravada, pois 85% dos antibióticos produzidos são utilizados na agropecuária e 75% utilizados para fins não terapêuticos, como promover crescimento ou engorda rápida dos animais e muitas vezes os dejetos destes animais são utilizados para agricultura”, alarma a infectologista. Como resultado, existe uma mudança da microbiota nestes produtos, com seleção de germes resistentes nos alimentos e maiores chances de contaminação pela ingestão deles sem necessariamente ocorrer a utilização direta do antibiótico.

Com o Programa de Stewardship de Antimicrobianos, o Hospital Santa Izabel pretende diminuir o uso inadequado dos antimicrobianos, reduzir o período de tratamento e propiciar maior adesão ao tempo de uso de antibiótico profilático. “São realizadas discussões diárias das prescrições de antimicrobianos e dos resultados de culturas e reuniões para avaliação e atualização dos guias de prescrição de antimicrobianos. Além disso, distribuímos banners e materiais educativos entre a equipe”, relata Silvia.

Fonte: Assessoria de imprensa Santa Casa da Bahia

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