CMB participa de fórum nacional sobre descentralização do cuidado e reforça papel das Santas Casas na regionalização da saúde

Evento reúne autoridades e especialistas em Brasília para debater soluções de acesso, gestão e eficiência no SUS

Com foco na construção de caminhos para um Sistema Único de Saúde mais resolutivo, equitativo e próximo da população, a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) participou nesta terça-feira (1º/07), em Brasília, do fórum “Descentralização do Cuidado – Novas Abordagens e Desafios para Reescrever a Assistência à Saúde”, promovido pelo portal Futuro da Saúde com apoio institucional da Roche.

O encontro reuniu gestores públicos, representantes do Ministério da Saúde, especialistas e entidades representativas para debater os desafios atuais do SUS e os caminhos possíveis para promover um novo modelo de cuidado, mais integrado, eficiente e territorializado. A CMB foi representada pelo vice-presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim, que foi um dos debatedores do painel de encerramento e também estiveram presentes o diretor geral Mário César Bernardes e por Monalisa Santos, diretora administrativa da entidade.

Santas Casas e hospitais filantrópicos: presença histórica e papel estratégico

Durante o painel “Olhar para o futuro: o que precisa ser feito”, mediado pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, o vice-presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim defendeu a papel referencial das Santas Casas e hospitais filantrópicos na regionalização do cuidado e na consolidação de um SUS mais acessível e resolutivo. Ao lado de autoridades como a secretária de Saúde do Ceará e presidente do Conass, Tânia Mara Coelho, e o secretário-executivo do Conasems, Mauro Junqueira, Flaviano trouxe à discussão a vivência prática das entidades que respondem por cerca de 50% de todos os atendimentos do SUS no país.

“Mais do que estruturar políticas de descentralização, é preciso assegurar que elas contemplem quem, historicamente, já está presente onde o Estado tem mais dificuldade de chegar”, destacou. “Se um hospital depende 80% do SUS, ele não pode construir um planejamento estratégico isolado da gestão local. É preciso integração com os secretários municipais e estaduais de saúde, para garantir que os serviços implantados realmente respondam às necessidades da população.”

Flaviano também alertou para a necessidade de olhar para os hospitais de pequeno porte com uma lógica de rede, respeitando sua função assistencial no território, mas organizando a oferta de alta complexidade com base em escala e vocação. “Escala é eficiência. Não adianta criar centros complexos sem estrutura para manter qualidade. É preciso desenhar o cuidado com base em dados, perfil epidemiológico e governança compartilhada”, afirmou.

Formação, governança e tecnologia: os eixos do novo cuidado

Ao longo do evento, foram debatidos temas como a crise na formação dos profissionais de saúde, a baixa resolutividade da atenção básica e a fragmentação da gestão. A secretária Tânia Coelho compartilhou a experiência do Ceará na regionalização da saúde, destacando a continuidade política como elemento essencial para os avanços.

Já Mauro Junqueira chamou atenção para o impacto da rotatividade de gestores no SUS e para os entraves enfrentados por estados e municípios na reestruturação da atenção oncológica e na fixação de profissionais.

A representante do Ministério da Saúde, Aline de Oliveira Costa, apresentou as diretrizes do programa Agora Tem Especialistas, destacando a transição de um modelo de financiamento por procedimento para uma lógica de oferta de cuidado integrado, que valoriza o conjunto da assistência prestada. Segundo ela, a descentralização precisa vir acompanhada de pactuação regional, uso estratégico das tecnologias e mudança de cultura no consumo de serviços de saúde.

“O SUS precisa garantir acesso, mas também precisa lidar com o excesso de demanda e consumo por especialidades e exames. A atenção primária precisa coordenar o cuidado, com resolutividade e apoio diagnóstico. Estamos revendo a política nacional de regulação, datada de 20 anos atrás, e propondo um modelo mais eficiente e conectado com a realidade dos territórios.”

CMB reforça compromisso com o fortalecimento do SUS

Ao marcar presença no fórum, a CMB reafirma seu papel ativo na construção de soluções estruturantes para o SUS. A entidade vem atuando junto ao governo federal, Congresso Nacional e órgãos de controle para garantir melhores condições de financiamento, gestão e atuação da rede filantrópica, que representa um elo vital para o acesso à saúde pública em todo o país.

O evento deixou evidente que os desafios são muitos, mas também são diversas as experiências positivas em curso, que podem inspirar novos caminhos. A articulação entre entes federativos, hospitais, universidades, gestores e sociedade é o ponto de partida para transformar o cuidado em saúde e fazer com que o SUS chegue mais longe — com equidade, qualidade e presença.

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