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Santa Casa de Montes Claros realiza centésimo transplante de fígado

transplanteReferência na área de transplantes de fígado, córnea e rim, a Santa Casa de Montes Claros realizou na última semana seu centésimo transplante de fígado. A paciente receptora, Bruna Cardoso da Silva, 21 anos, foi diagnosticada com hepatite autoimune e estava na lista de espera pelo órgão há aproximadamente um ano.

“Adoeci quando tinha dez anos. Inicialmente fui diagnosticada com uma virose, mas com o passar do tempo fui piorando. Emagreci e fiquei muito ‘amarela’. Só aos 15 anos, quando procurei a Santa Casa, descobri que eu tinha hepatite autoimune. Primeiro tentamos o tratamento via medicamentos, em seguida fui incluída na equipe de transplantes”, explica a estudante.

Caçula de uma família de oito irmãos, Bruna conta emocionada que não foi a primeira na família a passar pela situação. “Infelizmente uma das minhas irmãs faleceu em decorrência do mesmo problema. Na época que ela adoeceu não existia o tratamento aqui. Minha mãe até tentou recorrer a São Paulo, mas não deu certo. Se não existisse o serviço em Montes Claros, eu não teria condições de buscar tratamento fora”, conta.

O cirurgião Luiz Fernando Veloso, responsável pela Unidade de Transplantes da Santa Casa de Montes Claros, relata a situação antes e após a fundação do serviço de transplantes no município. “A atividade de transplante de fígado existe desde 2011 na Instituição. Foi o primeiro serviço de transplante de fígado do interior de Minas Gerais. Isso foi importante para abrir portas e provar que era possível prestar assistência em uma área de alta complexidade como é o transplante de fígado, longe da capital”, diz.

Ele comenta que o acesso dos pacientes ao transplante de fígado no Norte de Minas, antes da implantação do serviço, era da ordem de 20 vezes menos que no resto Estado  e que a probabilidade de um norte mineiro receber um enxerto de fígado quando precisasse, era 20 vezes menor em relação a outras regiões do Estado. Segundo ele, atualmente esse número é até melhor em relação a outras regiões de Minas.

Luiz Fernando cita um estudo realizado em Minas Gerais por Agnaldo Lima, autor do livro Fundamentos em Clínica Cirúrgica, no período compreendido entre os anos 2000 e 2010, que relata que “quando a única cidade do Estado a realizar transplantes de fígado era a capital, a taxa de encaminhamentos de pacientes para transplante variou entre 0,28 e 6,92 pacientes por milhão de habitantes por ano, segundo a região administrativa de residência dos pacientes; ou seja, a probabilidade de um paciente ser referenciado para o serviço de transplante de fígado variou até 24,7 vezes segundo a origem geográfica de quem precisava do procedimento.

Desde a implantação em 2011 do serviço na Santa Casa de Montes Claros, a taxa de transplantes realizados no referido serviço cresceu de 6,7 para 13,6 transplantes de fígado por milhão de habitantes por ano. No período estudado por Lima, imediatamente anterior à fundação do serviço de Montes Claros, a taxa de transplantes fígado de pacientes provenientes da região Norte de Minas Gerais foi 11,9 vezes menor que após a implantação do serviço local de transplante”.

Luiz Fernando ainda explica que a implantação do serviço na região foi uma barreira importante que foi quebrada em Minas Gerais. “Nós somos o primeiro serviço no interior do  Estado e a 11ª cidade do interior do Brasil a realizar transplante de fígado. Quando fazemos as contas de quantos transplantes realizamos a cada milhão de habitantes, em Montes Claros temos números semelhantes aos bons lugares do Brasil, embora isso seja longe do ideal, pois entendemos que o ideal é que as pessoas tenham acesso ao transplante como no resto do mundo. No Brasil, esse acesso é inferior ao que a população precisa, pois falta serviço de transplante e conscientização em relação a doação de órgãos.

O cirurgião ressalta que Montes Claros serve como exemplo para outras cidades do interior de Minas. Desde o ano passado, cidades como Juiz de Fora, começam a trilhar  o mesmo caminho. “Considero isso uma vitória da Santa Casa de Montes Claros, pois graças ao nosso pioneirismo outras cidades do interior estão buscando pela implantação do serviço”.

“Se não fosse a Santa Casa de Montes Claros e a conscientização da família doadora, eu não estaria aqui”, diz Bruna. A estudante, que já recebeu alta, conta que a partir de agora tem duas datas de aniversário: 6 de fevereiro e 11 de outubro. Cheia de expectativas com seu renascimento, ela agradeceu a equipe de transplantes e disse que de agora em diante quer retomar seus planos. “Quero cursar a área da saúde e ajudar outras pessoas assim como eu fui ajudada”. Na oportunidade ela ressaltou a importância da doação de órgão e agradeceu à família doadora a chance de continuar sua vida. “Sabemos que é um momento difícil, mas graças a eles estou tendo meu renascimento”.

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