Programação contou com apresentação de Ronaldo Caiado, lançamento do Anuário da Filantropia e painéis sobre gestão, saúde suplementar, inteligência artificial, reforma tributária, pesquisa clínica e qualidade assistencial
O segundo dia do 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos reuniu, nesta quarta-feira (19), em Brasília, gestores, especialistas, autoridades e representantes de instituições de diferentes regiões do País. Realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), a programação abriu espaço para a apresentação de propostas voltadas à saúde brasileira e promoveu debates sobre temas estratégicos para o presente e o futuro da rede filantrópica.
As atividades começaram com a participação do candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, acompanhado de seu candidato à vice-presidência, Gilberto Kassab. Recebido pelo presidente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), Flaviano Feu Ventorim, Caiado apresentou sua visão para a saúde brasileira e propostas relacionadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede hospitalar filantrópica e da assistência à população.

A participação integrou a proposta do Congresso de oferecer um espaço democrático para que candidatos à Presidência da República apresentem seus posicionamentos sobre a saúde. A iniciativa reafirma o compromisso da CMB com a pluralidade, a imparcialidade e o diálogo institucional.

Anuário dimensiona atuação da filantropia no SUS
Na sequência, a CMB lançou o Anuário da Filantropia 2026, publicação que reúne indicadores sobre a estrutura, a produção assistencial, a empregabilidade e a sustentabilidade econômica das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos. A apresentação contou com o presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim, e o diretor de Estratégia da Numb3rs Analytics, Luís Eduardo Azevedo.
Elaborado a partir das bases oficiais do DATASUS – SIA, SIH e CNES -, com metodologia e processamento da Numb3rs Analytics, o documento tem como referência o ano fechado de 2025. Os dados mostram que o Brasil possui 1.854 hospitais filantrópicos, correspondentes a 24,77% dos 7.485 hospitais do País.
A rede está presente em 1.321 municípios. Em 821 deles, a Santa Casa ou o hospital filantrópico é a única unidade hospitalar disponível, sendo que 91% desses municípios possuem menos de 50 mil habitantes. Embora estejam instaladas em parte do território, as instituições atenderam, em 2025, pacientes residentes nos 5.571 municípios brasileiros.
O Anuário também evidencia a participação da filantropia nos serviços de maior complexidade. O setor concentra 37,42% dos leitos SUS e 42,17% dos leitos de UTI destinados ao sistema público. Além disso, realizou 61,15% das internações de alta complexidade, 68,55% dos atendimentos relacionados a transplantes e 65,43% dos atendimentos oncológicos registrados em 2025.
Na área de cirurgias eletivas, os hospitais filantrópicos representaram 35,48% das unidades executantes, mas responderam por 46,24% do volume total e por 61,04% dos procedimentos de alta complexidade. Dentro da Política Nacional de Redução de Filas, a participação da rede passou de 46,89%, em 2024, para 53,63%, em 2025.
Outro aspecto destacado é a capacidade de geração de trabalho. A rede sustenta 1.024.444 postos, equivalentes a 36,7% do emprego hospitalar brasileiro. Desse total, 820.403 postos estão diretamente ligados à assistência.

Em sua mensagem na publicação, Flaviano Feu Ventorim reforça a necessidade de reconhecer a centralidade dessas instituições para a saúde pública. “Somos parte estrutural do SUS. Nossa missão é garantir que essa presença histórica seja também sustentável, eficiente e preparada para o futuro”, afirma o presidente da CMB.

O Anuário foi apresentado como um instrumento permanente de informação e diálogo com gestores, parlamentares, pesquisadores e representantes do setor, contribuindo para a construção de políticas públicas baseadas em evidências.
Gestão, saúde suplementar e saúde mental
Às 11h, a programação seguiu simultaneamente nos quatro espaços do Palco 360. No Palco 1, a procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo e professora da Fundação Getulio Vargas, Élida Graziane, participou do painel “Gestão em Saúde: escolhas que impactam vidas”, moderado pela presidente da Federase, Carolina Teixeira.
No Palco 2, dentro do Seminário de Saúde Suplementar, Paulo Rebello, sócio-administrador da Propensão Consultoria e ex-diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), apresentou o “Panorama da Saúde Suplementar: perspectiva para os próximos anos”. A moderação ficou a cargo de Luiz Santin.
O Palco 3 recebeu a segunda rodada do Pitch Time, espaço destinado à apresentação de soluções inovadoras para os desafios da gestão e da assistência em saúde. A atividade aproximou instituições, especialistas e empresas que desenvolvem tecnologias e serviços voltados ao fortalecimento da rede filantrópica.
No Palco 4, o painel “Jhonson & Jhonson: Saúde mental em pauta: do estigma à política pública – o papel da urgência e emergência hospitalar” contou com a participação da médica psiquiatra Cíntia Périco. A discussão foi moderada por Camila Carvalho, gerente de Acesso Estratégico para o cloridrato de escetamina intranasal.


Inovação e geração de valor na saúde
A programação da tarde começou com o painel “Conexão que Transforma: inovação e geração de valor na saúde”. O encontro discutiu como a transformação digital pode contribuir para novas formas de pensar a gestão, a experiência das pessoas e o papel das instituições de saúde.
Participaram do debate Gustavo Reis, professor da Fundação Dom Cabral e diretor de Inteligência Artificial da HopAI, e Shenandoan Daur, CIO do Real Hospital Português, em Pernambuco. A moderação foi conduzida por Dácio Guimarães, diretor Administrativo e Financeiro da Santa Casa de Maceió.

O painel destacou a necessidade de ampliar a capacidade de adaptação das instituições, rever modelos tradicionais e identificar possibilidades de aplicação da tecnologia e da inteligência artificial na gestão e na assistência.

Reforma tributária, regulação e pesquisa clínica
Às 16h, o Palco 360 recebeu uma nova rodada de atividades simultâneas. No Palco 1, o advogado Renato Nunes e o vice-presidente de Inovação e Tecnologia do Conselho Federal de Contabilidade, Márcio Schuch, participaram do painel “Reforma Tributária e a Saúde Filantrópica: um diálogo necessário”. A moderação foi realizada pelo provedor da Santa Casa de Belo Horizonte, Roberto Otto.
No Palco 2, o Seminário de Saúde Suplementar abordou os impactos regulatórios na dinâmica da autorregulação. O painel contou com Marcus Braz, diretor-adjunto de Fiscalização da ANS, e foi moderado por Marilza Caetano, gestora do plano de saúde da Santa Casa de Saúde de Vitória.
O protagonismo da rede filantrópica na produção de conhecimento foi discutido no Palco 3, durante o painel “Do Cuidado ao Conhecimento: o protagonismo da Rede Filantrópica de Saúde em Pesquisa Clínica”. Participaram Meiruze Freitas, diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, e Felipe Roitberg, consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A moderação ficou sob responsabilidade de Denizar Vianna, superintendente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
No Palco 4, a discussão esteve voltada à estruturação de serviços e à adoção de protocolos clínicos para atendimento de casos de acidente vascular cerebral e infarto. O painel reuniu Camila Pepe, diretora da Origin Health, e Maraisa Andrade, médica coordenadora do pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de Ituverava. A diretora técnica da Santa Casa de Porto Alegre, Gisele Bastos, conduziu a moderação.

Qualidade, inteligência artificial e futuro do SUS
O último bloco do dia começou às 17h30. No Palco 1, o painel “Saúde: a escolha que transforma o País” reuniu o secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Jurandi Frutuoso, e o secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira. A conversa foi moderada pelo presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim.
No Palco 2, o debate “Métricas sobre Promessas: o desafio para a contratação de IA nas operadoras de saúde” contou com Jorge Eduardo Braga Neto, presidente da Luminar Saúde, e Sandro Machette, CIO e CTO da Rede Santa Catarina. A moderação foi realizada pelo diretor institucional de Saúde Suplementar da CMB, Fernando César.
No Palco 3, Liliane Appel, coordenadora de projeto do Proadi-SUS no Einstein Hospital Israelita, e Giselle Franco Santos, coordenadora de Projetos no Hospital Sírio-Libanês, participaram do painel “Da Cultura da Segurança à Jornada da Excelência: caminhos para fortalecer a qualidade nas Santas Casas e hospitais filantrópicos”. O presidente do Conselho Consultivo da CMB, Mirocles Campos Véras Neto, moderou a discussão.
Encerrando as atividades do Palco 4, o painel sobre sustentabilidade no cuidado respiratório e o papel dos imunobiológicos nas Santas Casas teve a participação de Gisele Nader Bastos, médica, doutora em Epidemiologia e diretora técnica da Santa Casa de Porto Alegre. A moderação ficou a cargo de Eduardo Lourenço.

Ao longo do dia, os congressistas também puderam conhecer soluções apresentadas pelos expositores e receber atendimento especializado de técnicos de diferentes áreas do Ministério da Saúde.

Após o encerramento da programação científica, os participantes se reuniram em uma confraternização no rooftop do CICB, ampliando as oportunidades de integração, troca de experiências e construção de novas conexões.



O 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos segue nesta quinta-feira (20), com novos debates sobre gestão, assistência, inovação e fortalecimento da rede filantrópica de saúde.




