Durante o encontro, candidato apresentou sua visão para a saúde e abordou financiamento, tecnologia, integração da assistência e o papel das Santas Casas no SUS
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado participou, nesta quarta-feira (19), do painel presidenciável realizado durante o segundo dia do 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos. O encontro aconteceu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília.
Criado como um espaço institucional e democrático, o painel foi disponibilizado pela Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) aos candidatos interessados em participar do Congresso e apresentar suas propostas de governo para a saúde brasileira.
A iniciativa assegura aos participantes as mesmas condições de apresentação, sem perguntas da plateia, e reafirma a postura apartidária da CMB. O objetivo é ampliar o debate sobre o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a sustentabilidade da rede hospitalar filantrópica e a assistência prestada à população.
Caiado esteve acompanhado de seu candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab, e foi recebido pelo presidente da CMB, Flaviano Feu Ventorim. Durante o painel, apresentou sua visão sobre a saúde e abordou temas como planejamento governamental, financiamento, inovação, produção nacional de insumos e integração entre os diferentes níveis de atendimento.

Ao falar sobre a elaboração de propostas para o País, Caiado afirmou que um plano de governo não pode ser apenas um documento retirado de uma prateleira, mas deve refletir conhecimento, planejamento e respostas concretas às necessidades da população. “Então, precisamos de ver um outro nível de debate ao discutirmos a Presidência”, afirmou.
Em conversa com a imprensa, o candidato também classificou a saúde como uma das principais demandas da população brasileira. “Olha, é um momento extremamente importante, um dos pontos mais demandados pela população brasileira, o problema da saúde.” afirmou.
Papel das Santas Casas na assistência
Ao falar sobre a rede filantrópica, Caiado mencionou a atuação das Santas Casas nos atendimentos e procedimentos de alta complexidade, além da contribuição dessas instituições para a formação de médicos e outros profissionais da saúde.
O candidato também recordou sua experiência durante a formação médica, quando teve contato com o atendimento e a realização de procedimentos em Santas Casas. Ao destacar a trajetória dessas instituições, declarou: “A Santa Casa tem uma história na saúde brasileira extremamente relevante.”
Caiado também mencionou a atuação das Santas Casas como retaguarda para a saúde brasileira, especialmente na realização de cirurgias eletivas e na manutenção de estruturas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao recordar a pandemia de Covid-19, destacou a capacidade dessas instituições de receber pacientes em estado grave.

Custos da saúde e sustentabilidade das instituições
Entre os assuntos abordados por Caiado esteve o custo da assistência prestada pelas Santas Casas, pelos hospitais filantrópicos e pelas demais instituições que atendem pelo SUS. “O que nós temos que discutir neste momento, nas Santas Casas, toda a área de saúde do Brasil, é exatamente o custo da saúde.”
Ao tratar dos materiais utilizados nas cirurgias e da sustentabilidade das instituições filantrópicas, o candidato defendeu a criação de uma estrutura industrial no Brasil voltada ao fornecimento desses produtos.
“A saúde está chegando a um ponto, em que nós precisamos de trazer para o Brasil, a capacidade nossa de criar um polo industrial, capaz de poder fazer o fornecimento deste material, que são demandados nas cirurgias hoje, que inviabilizam totalmente uma tabela, e façam ser compatíveis com a realidade da sobrevivência das entidades filantrópicas, como também das Santas Casas.”
Na sequência, Caiado mencionou a utilização da tecnologia, da inteligência artificial e a industrialização de produtos no Brasil. Ele relacionou esses recursos à realização de cirurgias com menor permanência hospitalar e maior rapidez na recuperação pós-operatória.
O candidato também associou o represamento das cirurgias à incompatibilidade entre os custos dos procedimentos e os valores da tabela. “Ou seja, essa fila está represada em decorrência da incompatibilidade do custo com a tabela, do custo do ato cirúrgico e da operação.”
Integração entre os níveis de atendimento
Outro ponto abordado foi a necessidade de organizar a saúde de maneira integrada, sem separar as diferentes etapas do atendimento. “O que nós temos aqui agora é que não é fatiar muito a saúde no Brasil.”
Caiado defendeu que a assistência tenha continuidade desde a atenção básica até os procedimentos de maior complexidade, de acordo com as demandas apresentadas pela população.
“É trazer o movimento que haja desde a atenção básica até chegarmos nas cirurgias mais sofisticadas em termos de demanda da população, termos uma capacidade de fazer com que tudo isso possa fluir.”

Trajetória das Santas Casas e construção do SUS
Ao abordar a história da saúde pública no Brasil, Caiado relacionou a atuação das Santas Casas ao processo de construção de uma assistência integral e universal. “Bom, a partir daí, nós tivemos o SUS, aonde passamos a ter uma saúde integralizada e universalizada. E a partir daí, sim, nós demos aquilo que as Santas Casas mostravam para o Brasil.”
O candidato também mencionou a atuação das Santas Casas durante a Constituinte e a contribuição dessas instituições para a consolidação do direito à saúde no País. Ao avaliar o sistema construído desde então, afirmou: “O Brasil implantou a mais linda história social na área de saúde, que, lógico, precisa ser melhorada, precisa ser atualizada, precisa ser reformada.”
A participação de Ronaldo Caiado no painel presidenciável integrou a programação do segundo dia do 34º Congresso da CMB. Com o tema “Saúde: a escolha que transforma o País”, o evento reúne gestores, profissionais, especialistas e representantes de instituições filantrópicas de diferentes regiões do Brasil até esta quinta-feira (20), no CICB.





